Depois que o primeiro homem subiu no muro, apertou o bico e “tacou o nome” a cidade nunca mais foi a mesma. Amada por alguns (mais gente do que se imagina) e odiada por quase todo o resto, a pixação se afirma como um dos elementos visuais que caracterizam a paisagem das grandes cidades. Vandalismo, rebeldia juvenil, chame como quiser. Fato é que o cinismo passa longe quando os pichadores se declaram como “artistas de uma arte proibida”. Em tempos que a arte salta das galerias e invade as ruas com intervenções corroboradas por tendências e teorias a pixação se organiza para se consagrar a cada madrugada em seu espaço de origem, a rua.
No dicionário Aurélio o verbo pichar consta com a grafia “ch”, mas na escrita e na fala dos adeptos o “x” entra em cena, redefinindo o verbo como pixar. Uma breve investigação histórica sobre a pixação no Rio de Janeiro aponta para o escrito: “Celacanto provoca maremoto!”. A frase ocupou um considerável espaço em muros da Zona Sul carioca no final da década de 70. O responsável pela primeira pixação na cidade maravilhosa foi o jornalista Carlos Alberto Teixeira, na época estudante da mais tradicional universidade particular do Rio. Carlos chegou a dar entrevistas para jornais e fazer trabalhos de artes plásticas apoiado na fama acumulada pela pixação.
O grande boom da pixação aconteceu com o final da ditadura civil-militar, acompanhando o afrouxamento da violenta repressão. Já no começo dos anos oitenta a expansão da pixação ganhou o subúrbio carioca. A arte proibida deixava de ser exclusividade dos meninos classe-média e invadia muros e mentes da Zona Norte até a Baixada Fluminense. Desde então pixadores de diferentes procedências sociais transformaram a cidade no cenário de uma batalha que até hoje mancha de tinta paredes, muros, monumentos e vários outros alvos possíveis.
Hoje em dia a pixação extrapola os limites de muros e marquises. Está na internet (em fotos, vídeos e textos), flerta ainda com a tela do cinema e demonstra uma certa complexidade de organização. Prova disso são as chamadas Reu, grandes reuniões onde pixadores de todo o estado se encontram para trocar experiências. Recentemente, no início do mês de março, aconteceu no bairro de Brás de Pina (subúrbio do Rio) o Xarpi Rap Festival. O Festival funciona como uma grande Reu, e serviu de ponto de partida para elaboração deste texto.
“Não dá dinheiro mas alimenta a alma, gosto do que represento nas ruas”
Troquei uma idéia com Nuno DV (Destruidores do Visual), uma figura que começou no xarpi em 90 e que segue na ativa até hoje, “Tinha um pessoal no colégio Castel Nuovo (Arpoador), todos faziam alguma coisa: futebol, luta, surf. Mas em comum todos eram pixadores. Entrei nessa de pixação pra tentar fazer parte daquele grupo”. Nuno trocou de escola e carregou com si a fama de aluno rebelde. Chegando ao novo colégio conheceu SAF, “daí a pixação passou a ficar séria. SAF me levou pra fora da zona sul (Benfica, Ramos, Olaria, Caxias, Madureira). Um belo dia conheci a reunião de pichadores. Cheguei lá, assinei um caderno e, pra minha surpresa, geral estava ligado no meu nome. Aí passei a gostar desse reconhecimento estranho que a pixação traz, e queria mais e mais.”
só loucos fazem isso a adrenalina core em nossas veias ... ass: pão Rio das ostras





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ResponderExcluirOi Lucas,
ResponderExcluirParabéns pelo seu Blog.
Gostaríamos de divulgar o lançamento do livro "Xarpi - Um Registro Sobre a Pixação no Rio de Janeiro" que acontecerá em breve.
Informações:
www.livroxarpi.com.br
Espero que goste.
Abs