Pela primeira vez passei a virada no ano no Rio de Janeiro, vendo os fogos em Copacabana e aquela coisa toda. Mas durante a estadia na cidade maravilhosa, o que mais me chamou a atenção não foi nenhuma de suas belezas do tipo cartão postal, e sim sua intrigante escola marginal da pixação. Muros, viadutos, prédios, barracos e até as conhecidas formações rochosas da cidade estão impregnadas com ícones muito particulares, diferentes da pixação vista em outras metrópoles brasileiras.
Pra quem está acostumado com graffiti internacional e pixo reto tradicional de SP, desses que você encontra em inúmeros livros nas grandes livrarias e até na Bienal, a primeira vista o que rola nas paredes cariocas pode parecer uma riscalhada sem sentido. Mas o olhar mais atento revela diferentes escolas estilísticas, a maioria feita com traço contínuo de spray, formando um emaranhado de letras praticamente indecifrável. E quando você vê uma sequência de um mesmo pixo carioca, um ao lado do outro, idênticos, é que cai a ficha.
Dentro da diversidade da escrita urbana do Rio, se destacam pixos que parecem ícones, tendendo a simetria bilateral, e que sobem alto nos prédios, como aranhas. Resolvi perguntar o que rolava no pixo carioca para meu amigo João Lelo, um dos principais nomes da arte urbana do Rio, e ele me explicou que a galera faz encontros e tem até uma premiação pras “mosquinhas”, como por exemplo o prêmio de “mosca da pedra” pra quem mais pixa em pedras. E ele também revelou a palavra mágica para conhecer o pixo carioca, pelo menos via Google, que é como quem faz chama: Xarpi (da inversão de silabas da palavra “pixar”).
Os mais de 41.000 resultados da busca me fizeram sentir terrivelmente amador, mas ao mesmo tempo empolgado de conhecer mais uma subcultura urbana genuinamente brasileira.
Nenhum comentário:
Postar um comentário